Monday, October 31, 2011

então aja como se realmente soubesse

Asterios e Ursula


asterios polyp [david mazzucchelli - cia das letras, 2011] é uma experiência pessoal e intransferível. é isso.


ursula major estava certa: "...enquanto estiver por aqui, não se preocupe se acabar se apaixonando por mim... acontece com todo mundo... sou uma deusa."

Sunday, October 30, 2011

nem 15 minutos

a moça era atriz. mas enquanto a fama não vinha, trabalhava como recepcionista numa clínica odontológica. sua peça já estava em cartaz há um mês. seu rosto até apareceu em jornais. ser famosa era uma sonho de infância. mas ainda não era.
a simpatia no atendimento aos clientes também dava-se no cumprimento ao carteiro:
- bom dia, senhor antônio.
- bom dia, maria de fátima. estas são para dra. olga e estas para dra. maria amélia. por gentileza, me dê seu autógrafo aqui. - e estendeu-lhe a via de recebimento.
maria de fátima mal pode acreditar. no meio do trabalho? seu talento reconhecido? não contendo-se, escreveu:
"com carinho, fatimah albuquerque"

se não fosse final de manhã, com o batom já gasto, até um beijinho teria marcado a folha.
antônio, o carteiro, estranhou a empolgação da moça e ao ler a declaração, retrucou.
- mas eu só queria sua assinatura...

Monday, October 10, 2011

eu vejo tudo enquadrado


Nesses últimos dias Salvador pôde, como eu, viver entre realidade e fantasia do mundo dos quadrinhos. Salvador pôde, mas pouco viveu. 

O 1º FAQ – Festival Anual de Quadrinhos – iniciou-se com o teatro Eva Herz lotado à espera de Mauricio de Sousa, dono absoluto de horas de leitura de toda infância brasileira. Mauricio contou histórias da sua própria infância, contou como começou sua carreira, mas pouco acrescentou a quem já leu um “sobre o autor”. Pareceu-me que estava ali como pessoa jurídica, apesar de ter contado suas aventuras para fazer valer, diante de seus filhos, seu direito de comprar roupa em loja de grife. Respondeu as poucas perguntas que o público fez e, ao final, deu os muitos autógrafos que os fãs tanto esperaram. Ameaçou ir embora devido ao grande tumulto que se formou ao seu redor, mas ficou até o fim. E no fim também eu fui atrás, queria vê-lo de perto, queria sentir a vontade de enfiá-lo na caixinha de vidro, mas não aconteceu. Em minha caixinha só há espaço para seus personagens. Um lugar nessa mesa merecia Sidney Gusman, editor do estúdio do Mauricio e idealizador do delicioso projeto MSP 50 artistas, que estava lá no cantinho, fotografando, interagindo com a plateia próxima e tão cheio de histórias pra contar. 

O segundo dia do FAQ ficou fora do meu horário livre e perdi as duas mesas do dia. 

O sábado seria o grande dia do evento. Coisas bacanas acontecendo em dois cantos da cidade. Dois cantos bem opostos. Às 15:20h entramos no Eva Herz e lá estavam pessoas no palco e plateia praticamente vazia. Era a mesa das 14:00h, com Mario Cau e Luiz Adolfo de Andrade, que começou com atraso e só acabou às 16:20h. A mesa com Will Leite, André Dahmer e Mineu, que começaria às 15:30h, teve de ser feita às pressas. Mas, nem por isso deixou de ser a melhor de todas do evento. Um Will muito tímido e um Mineu muito silencioso perderam espaço para um André Dahmer altamente articulado na arte de ligar o foda-se, que pouco olhava para a plateia – também vazia –, e bem incisivo em suas opiniões. Saí dessa mesa com um nó na garganta que marejava meus olhos todas as vezes que olhava para ele. Esse foi pra caixinha de vidro, com uma chave pra fugir quando quiser. 

Ao fim da mesa, fui tentar falar com Will, já que ele havia dito em seu Tumblr que havia gostado do meu blog, senti que deveria agradecer. Fui meio palerma ao falar com ele, queria falar como se já nos conhecêssemos e tal... velhos amigos. Mas embolei tudo e fugi correndo para o evento da RV Cultura e Arte, “no outro canto da cidade como eles disseram”. Meus irmãos estavam lá! Gustavo Duarte estava lá! Arrafinha estava lá! E corremos pro Rio Vermelho. Primeiro gastamos um pouco de dinheiro na loja, depois subimos pra ver todo mundo de perto. A galeria estava lotada, muita gente, muita fila [por que todas essas pessoas não lotaram as mesas também? Só um autógrafo e uma foto bastam? Ou todo mundo é mais ocupado do que eu? Não sei...]. Eu não gosto de gente, mas gente que desenha ganha fácil meu amor. Fiquei muito constrangida no meio daquela multidão e, se não fosse a Arrafinha que já era amiga de todo mundo, eu não teria chegado perto de ninguém, não falaria com o Gustavo, meus irmãos gêmeos [Fábio Moon e Gabriel Bá] não saberiam que são meus irmãos e André Dahmer não escreveria poesia colegial de sanatório no meu Livro Negro. 


família
irmãos
muito amor
vocação para ouvir histórias
Saímos do Rio Vermelho e voltamos pro Salvador Shopping, onde ainda teria o lançamento do MSP 50 novos artistas e Fala Menino!, mas eu, que era encarregada de arrastar Nick e Rocío para todos os cantos do evento, esqueci. Como somos VIP, jantamos com a quadrinista e ilustradora Arrafinha que, juntamente com Lourenço Mutarelli, Marcatti, Carlos Ruas, Rafael Sica, Bruno Maron, Hiro Kawahara e Pryscila Vieira são minhas sugestões para o 2º FAQ. 

Tudo podia ter acabado no sábado, em ritmo, ritmo de festa, mas a última mesa do domingo, que começaria às 14h, que deixou eu e Nick sem almoço, para não atrasarmos, começou quase uma hora depois. Luis Augusto, do Fala Menino!, que não só mediou todas as mesas, como foi convidado de todas, lanchava no Seven Wonders Café enquanto os outros participantes não haviam chegado. Foi a mesa democrática na divisão do tempo das falas, a minúscula plateia, além de alguns profissionais da área dos quadrinhos, incluía o moleque-desenhista-virginiano-inseguro-fã-de-bill-watterson, que esteve presente em todos os momentos, e pode ser considerado o mascote da edição. Eu nada quis perguntar. Estava ali pra ouvir a história dos outros. Fiquei curiosa com o trabalho de Pedro Franz [que eu não conhecia], em especial o quadrinho em folhas soltas, com multipossibilidades de leitura. Senti um leve atrito entre o Grampá e o Luis Augusto [provavelmente, coisa da minha cabeça]. Bruno Aziz, que foi um suporte de moderação da mesa, é tão parecido com Marcelo “O Rappa” Falcão [é, são poucos os quadrinistas que têm rosto pra mim]. A noite terminaria com show de uma banda que nunca ouvi falar e alguma apresentação de cosplay. Preferimos não. 

Quanto à produção, há que se perdoar por ser a primeira edição. A abertura superlotada, sem controle da quantidade de gente no teatro, causou o desconforto de vários e a não segurança de todos. As crianças entediadas que ocupavam cadeiras, levantavam, e sentavam, e resmungavam inquietas, seria evitada se fosse indicado desde a divulgação que o evento não era para os pequenos. Algo que os brasileiros ainda não entendem é que quadrinhos e animações nem sempre são direcionados ao público infantil. Sei que não dava para imaginar que o teatro ficaria vazio, mas se as mesas fossem na própria galeria RV [excetuando a abertura] teria sido algo mais acolhedor, provavelmente com maior interação entre as pessoas e menos problemas técnicos e consequentes atrasos. 

Ao fim de tudo, sabendo que no dia seguinte a vida voltaria ao normal, senti uma pequena tristeza. Uma vontade de ter sido sugada e aprisionada em folhas de papel e tinta. Tão feliz fiquei por esses dias entre pessoas que alimentam minha sanidade. Tão feliz! 



Monday, September 26, 2011

por que eu não quero facebook?


o facebook não permite que as pessoas saiam das nossas vidas. mesmo que já tenham cumprido sua função, mesmo que a presença já não faça diferença além de aumentar os números do contador, lá estão elas: coladas à nossa página, existindo, resistindo. excluem, até, a chance de um agradável e inesperado reencontro.

os que me querem no facebook não são carentes da minha presença, porque são pessoas do meu contato direto. a carência delas é outra, que não a minha. 

mas, se um dia eu mudar de ideia, e nossas carências equalizarem, vou atrás de um milhão de amigos. 
sinta-se livre para exercitar a sua birra, e não me aceitar.


um milhão de amigos

Sunday, September 25, 2011

ouvindo coisas por aí: sobre cachorros

Humilhação canina

Praça da praia de Ondina, fim de tarde.

Um homem passeia com seu cão branco. Um akita, ou raça similar. Algumas meninas brincam de correr. Uma delas, de uns 10 anos, corre na direção do homem, afirmando para a outra que "É sim!", e pergunta:
- Moço, esse cachorro é "pudo", né?


É "pudo"?

Confusão canina

Shopping Salvador, atemporal.

Um grupo de pessoas, parado no corredor, olha para o andar de cima. Um homem explicava por que não conseguia encontrar a mulher no shopping. 
- Ela disse que tinha procurado em todo lugar e não achou. Disse que 'tava na Gato 10 e também não tinha. E eu fiquei me perguntando: "Gato 10? Onde é isso?"
O grupo olhava para a fachada da loja IO.
- Mas parece um gato, não parece? - ela justificou.

Parece?



Tuesday, September 13, 2011

ele morreu

Noite de domingo:


MÃE - Oh, você viu que Marcos Paulo morreu?
EU - Oh, vi não. Ele tava com câncer, né?

Manhã de terça:


EU - Não vi sobre a morte de Marcos Paulo em lugar nenhum... Estranho...
MÃE - É mesmo. Nem no jornalzinho falou nada...

Algumas horas depois:


LADYTALIÃO - Ah sim, Marcos Paulo morreu, né?
MARENRIQUE - Vish, morreu, foi?
LADYTALIÃO - O ator :D
MARENRIQUE - Eu sei. Ahahaha.
LADYTALIÃO - Minha mãe que falou
MARENRIQUE - Ele tinha sido operado de câncer
LADYTALIÃO - Eu sabia. De laringe faringe esôfago. Não vi a morte dele em lugar nium. Só sei porque minha mãe me disse no domingo.
MARENRIQUE - Eu também não vi, não.

[Google]

LADYTALIÃO - Google não sabe que ele morreu, não...

[Resultado de pesquisa]

LADYTALIÃO - Ô gente!!!!!! Quem morreu foi Marcos Plonka!
MARENRIQUE - AHAHAHAHAHAHAHHHHAHAHAHA! Esse eu soube!
LADYTALIÃO - O tio do fazemos qualquer negócio... Ô gente!
MARENRIQUE - Ô deus... sua mãe, viu, vou te contar!

Thursday, September 08, 2011

Foi nisso que deu, de marré deci


Eu sou rica, rica, rica, de marré, marré, marré
Eu sou rica, rica, rica, de marré deci

Eu sou pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré
Eu sou pobre, pobre, pobre, de marré deci

Quero um de vossos filhos, de marré, marré, marré
Quero um de vossos filhos, de marré deci

Escolhei o que quiser, de marré, marré, marré
Escolhei o quiser, de marré deci

Eu quero esse daí, de marré, marré, marré
Eu quero esse daí, de marré deci

Que ofício darás a ele?, de marré, marré, marré
Que ofício darás a ele?, de marré deci

Dou ofício de advogado, de marré, marré, marré
Dou ofício de advogado, de marré deci

Esse ofício me agrada, de marré, marré, marré
Esse ofício me agrada, de marré deci

Pode ficar com todos, de marré, marré, marré
Pode ficar com todos, de marré deci

N’era bem isso que eu imaginava, de marré, marré, marré
N’era bem isso que eu imaginava, de marré deci

Eu, de pobre, fiquei rica, de marré, marré, marré
Eu de pobre, fiquei rica, de marré deci

Eu, de rica, fiquei pobre, de marré, marré, marré
Eu, de rica, fiquei pobre, de marré deci

Eu tô indo pros EUA, de marré, marré, marré
Eu tô indo pros EUA, de marré deci

Tô mudando pra favela, de marré, marré, marré
Tô mudando pra favela, de marré deci

Depois vou pro Canadá, de marré, marré, marré
Depois vou pro Canadá, de marré deci

Um dos meus filhos virou traficante, de marré, marré, marré
Um dos meus filhos virou traficante, de marré deci

Tá um frio danado, de marré, marré, marré
Tá um frio danado, de marré deci

Outro virou assassino, de marré, marré, marré
E o outro virou ladrão, de marré deci

Eu tô indo pra Europa, de marré, marré, marré
Eu tô indo pra Europa, de marré deci

Outro virou deputado, de marré, marré, marré
Outro virou deputado, de marré deci
E o outro tá na cadeia, de marré, marré, marré
Mas ele é inocente, de marré deci

Vou conhecer Paris, de marré, marré, marré
Vou conhecer Paris, de marré deci

Outro fugiu de casa, de marré, marré, marré
E o outro vende no sinal, de marré deci

Eu tô indo pra Itália, de marré, marré, marré
Eu tô indo pra Itália, de marré deci

Outro virou flanelinha, de marré, marré, marré
Outro virou flanelinha, de marré deci

Vou conhecer o papa, de marré, marré, marré
Vou conhecer o papa, de marré deci

Outro me bate todo dia, de marré, marré, marré
E um outro se matou, de marré deci

E eu tô indo pra África, de marré, marré, marré
E eu tô indo pra África, de marré deci

Outro vende no buzu, de marré, marré, marré
Outro vende no buzu, de marré deci

Desembarquei em Angola, de marré, marré, marré
Desembarquei em Angola, de marré deci

O assassino foi preso, de marré, marré, marré
O assassino foi preso, de marré deci

Vou pro Egito, de marré, marré, marré
Vou pro Egito, de marré deci

Vou chamar o advogado, de marré, marré, marré
Pra tirar os dois da cadeia, de marré deci

Vou visitar Dubai, de marré, marré, marré
Fazer umas comprinhas, de marré deci

Vou visitá-los na cadeia, de marré, marré, marré
E levar um celular, de marré deci
Escondido em minha calcinha, de marré, marré, marré
Para os trotes de sequestro, de marré deci

Tô indo pra Índia, de marré, marré, marré
Tô indo pra Índia, de marré deci

O advogado foi sequestrado, de marré, marré, marré
Ligaram pedindo resgate, de marré deci

Aqui tem um limpador de fossa, de marré, marré, marré
Ah, meu Deus, é meu filho!, de marré deci

Mataram o advogado, de marré, marré, marré
Os dois vão mofar na cadeia, de marré deci

Meu filho, venha comigo, de marré, marré, marré
Você precisa de um banho, de marré deci

O inocente estuprou outro preso, de marré, marré, marré
Não é mais tão inocente assim, de marré deci

Tamos indo pra Barcelona, de marré, marré, marré
Tamos indo pra Barcelona, de marré deci

Teve rebelião na cadeia, de marré, marré, marré
O assassino foi assassinado, de marré deci

Vou ver uma tourada, de marré, marré, marré
Meu filho vai participar, de marré deci

O outro conseguiu fugir, de marré, marré, marré
O outro conseguiu fugir, de marré deci

O touro chifrou-lhe a bunda, de marré, marré, marré
Depois o pisoteou, de marré deci

Choveu na favela, de marré, marré, marré
Meu barraco desabou, de marré deci

Meu filho foi pro hospital, de marré, marré, marré
E ele morreu, de marré deci

Eu perdi foi tudo, de marré, marré, marré
Inclusive três filhos, de marré deci

Eu tô livre de novo, de marré, marré, marré
Eu tô livre de novo, de marré deci

Vamos pegar bolsa família, de marré, marré, marré
Pra não morrer de fome, de marré deci

Posso ir pronde quiser, de marré, marré, marré
Sem pagar passagem extra, de marré deci

O do sinal foi atropelado, de marré, marré, marré
E o do buzu caiu do ônibus, de marré deci
Foi arrastado por quilômetros, de marré, marré, marré
E ninguém viu, de marré deci

Estou indo pro Brasil, de marré, marré, marré
Mas só vou visitar, de marré deci

O deputado é corrupto, de marré, marré, marré
E fugiu do Brasil, de marré deci

Agora eu vou pra Suécia, de marré, marré, marré
E depois pra Suíça, de marré deci

O traficante virou craqueiro, de marré, marré, marré
E se tornou mendigo, de marré deci
Tocaram fogo nele, de marré, marré, marré
Foram os playboy, de marré deci

Achei outro filho na Suíça, de marré, marré, marré
Ele é deputado, de marré deci

O “inocente” virou traveca, de marré, marré, marré
E os skinhead mataram ele, de marré deci

Ele abriu uma conta no banco, de marré, marré, marré
E eu vi a senha, de marré deci

Tô ficando deprimida, de marré, marré, marré
Vou procurar o SUS, de marré deci

Tamos indo pro Himalaia, de marré, marré, marré
Vamos escalar o Everest, de marré deci
Teve uma avalanche, de marré, marré, marré
Meu filho morreu congelado, de marré deci

O flanelinha virou ladrão, de marré, marré, marré
E roubou um carro, de marré deci

Enterrei outro filho, de marré, marré, marré
Deve ser meu carma, de marré deci

O flanelinha fugiu pro sul, de marré, marré, marré
Pra levar o carro num desmonte, de marré deci

Tô indo pra China, de marré, marré, marré
E depois vou pro Tibet, de marré deci

Ele conseguiu um dinheirão, de marré, marré, marré
Mas o irmão ladrão o assaltou, de marré deci
Eles saíram no tapa, de marré, marré, marré
E o flanelinha sacou a arma, de marré deci

Eu raspei a cabeça, de marré, marré, marré
E virei uma monja, de marré deci

Ele atirou, de marré, marré, marré
E pegou no ladrão, de marré deci
A polícia chegou logo, de marré, marré, marré
O outro roubou uma viatura, de marré deci
Ele fugiu em disparada, de marré, marré, marré
Mas o carro capotou, de marré deci

Tô comendo arroz, de marré, marré, marré
E acendendo incensos, de marré deci

O carro caiu do barranco, de marré, marré, marré
E explodiu, de marré deci
Eu fiquei rica de novo, de marré, marré, marré
Vou pro Tibet virar monja, de marré deci
Encontrei a outra, de marré, marré, marré
Viramos monjas lésbicas, de marré deci

Esquecemos de um filho, de marré, marré, marré
É o que batia na outra, de marré deci

Ele virou terrorista, de marré, marré, marré
É um Osama II, de marré deci

O que será da gente, de marré, marré, marré
Se ele nos achar?, de marré deci

Oba! Ele também foi morto, de marré, marré, marré
Pelo governo americano, de marré deci

Fomos felizes para sempre, de marré, marré, marré
Fomos felizes para sempre, de marré deci




girafa feat. matt 


Wednesday, September 07, 2011

dieta fantástica


Fulana, Beltrana e Sicrana eram gorduchas amigas de infância. Na adolescência, Beltrana e Sicrana começaram a emagrecer, mas Fulana adolescia cada vez mais arredondada. Como Beltrana e Sicrana gostavam muito de falar das intervenções cosméticas alheias e jamais assumiam que seus cabelos não eram naturalmente lisos e loiros, nem aquelas unhas enormes não saíam de suas cutículas, Fulana, para descobrir o milagre do emagrecimento, perguntou em tom de fofoca a cada uma separadamente.

– Sicrana tá magra, né? Academia tá dando resultado...
– Academia nada! Essa magreza toda é cara na privada, chamando Hugo.
– Sério? Só isso? E funciona?
– Ela tá magra, né? Eu é que tô numa dieta rigorosa! Tô quase vegan!

Fulana nem esperou chegar em casa. Despediu-se de Beltrana e foi ao banheiro da escola. Inclinou-se no vaso e chamou, primeiro timidamente:
– Hugo...

Depois com mais empolgação:
Hugo!

Passou uma semana inclinando-se em vasos sanitários, chamando Hugo. Não obtendo resultado na balança, e sentindo-se enganada por Beltrana, Fulana recorreu a Sicrana:

– Puxa! Beltrana emagreceu tanto, né? Tá levando a sério a dieta...
– Dieta nada! Isso é cara enfiada na privada, chamando Raul!
– Ai, sério?! Sabia que tinha alguma coisa errada!
– Pois é... também não acho certo, por isso tô viciada em academia.

Dessa vez, Fulana esperou chegar em casa. “Cara enfiada na privada” merecia um ambiente de confiança. Passou correndo pela garagem, onde seu irmão ensaiava com um amigo da banda, por quem ela era apaixonada, subiu as escadas e entrou no banheiro. Furiosa com a amiga que a enganou, com o corpo não atraente, com o fracasso em todas as tentativas de emagrecer, enfiou a cara na privada e chamou:
– Raul!

E furiosamente:
RAUUUUUUL!!! QUE DROGA, RAUUUUUUUUUUL!!

Lá embaixo, o amigo do irmão perguntou:
– Que é que ela tá gritando?
– Acho que é “toca Raul!”
– Então, me dá um dó!






Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...